TRECHO UM:

 

 

Caminhamos pela cidade novamente, recebendo ofertas de tortas, limonadas e outras gentilezas. Jack sempre elogia seu povo de como são cordiais e hospitaleiros, mas com uma certa prepotência. Talvez orgulho, mas o jeito sarcástico dele confunde o que pensar a respeito de certos comentários.

Eis que voltando, do lado direito do castelo, oposto a “minha casa”, tenho uma sensação perturbadora, coloco a mão nele, no peito, a fim de impedi-lo de prosseguir.

– Pare. – eu o aviso. – Que se passa rapaz? Não gosto de ser tocado!

Então eu vejo, a alguns metros de nós, em cima de uma árvore, do outro lado do muro, o tal índio que o Luther falou! Com um arco longo apontado em nossa direção - no Jack, mais precisamente! Ele está vendo que estou ciente de sua presença, eu consigo ver os olhos dele, a tensão. Ele vai disparar!! –CUIDADO!!! – Eu pulo no Jack, derrubando-o deitado, caindo por cima dele, fazendo com que a flecha passe reto ao invés de acertá-lo diretamente no peito. Nessa hora ouço um berro de mulher:

– ERROU? MAS QUE MERDA! VAMOS ENTRAR NESSA PORRA! - Antes mesmo de nos levantarmos totalmente, há um enorme estrondo, arremessando pedaços de ouro e poeira, acontece uma explosão no muro e, próximo a onde o índio estava, um enorme rombo foi aberto. Jack se deita novamente cobrindo a cabeça com as mãos apelando por proteção.

– Me proteja, me proteja! - Em meio a poeira baixando, adentram duas mulheres. Uma morena linda, de físico escultural, usando um top, salientando seios fartos e a musculatura abdominal torneada, uma calcinha ou biquíni mostrando o resto do corpo escultural e botas... Mas com DOIS BRAÇOS DE METAL! Não grosseiros como os do Luther, mas evoluídos tecnologicamente como os de Mortar. E a outra,  uma loira linda com uma bandana amarrada na testa e óculos escuros, usando apenas um short de jeans, uma camiseta transparente que mostra muito mais do que deveria, e ainda rasgada logo abaixo dos seios, botas, uma luva na mão esquerda, e o braço direito também biônico, como o da outra! E, obviamente, ambas com as marcas nos olhos. A loira carrega uma espécie de espingarda enorme, com uma lâmina que percorre toda parte de baixo da arma indo até mais além do cano, algo que nunca havia visto. Ainda fumegando. Seja lá o que aquilo dispara, foi o que arrebentou o muro! Jack pragueja:

– Pela lateral? Só pode ser gozação! KAO!!!!! KAO!!! Onde está aquele imbecil quando preciso dele! – Eis que sou surpreendido:

– Calma vovô! Estou aqui pra ajudar! – Lótus! Parece que ela também andou conversando com Jack.

– VAMOS MERDA! NÃO DEIXA O CRETINO FUGIR! – Grita a loira do braço biônico, enquanto empunha a arma agora, como se fosse uma espada enorme de duas mãos. Mas ela empunha apenas no seu braço biônico. Me lembro da luta com Luther: um vacilo e uma pancada de uma delas e acabou. A morena dos dois braços biônicos avança caminhando na minha direção, séria, me encarando olhos nos olhos, e solta: – “Je ne veux pas” te machucar “mon frére”. – Diz a morena me encarando séria, com um sotaque sensual, que faz “biquinhos”. Lábios carnudos. Rosto fino... Extremamente atraente por sinal. Droga! Por que eu só consigo pensar em... Sexo? CLARO! O maldito perfume "venenoso" da Lótus! Inebriando minha mente, não funcionando só para ela, mas alterando minha perspectiva de outras mulheres. Por isso não afeta outras mulheres, deve ser uma espécie de hormônio feminino que nos deixa... Pensando em outras coisas, além de nos apagar depois de muita inalação. Ela de certa forma está mais me atrapalhando do que ajudando aqui.

TRECHO DOIS:

– Um gigante está destruindo tudo! - E ele chama por você. Deveria saber que a paz duraria pouco. Tem sido assim desde o início, por que agora seria diferente? Pego minha velha espada e mesmo com uma arma em má condição parto até tal gigante. Não aviso os Tarpais, nem Garontar, sigo sozinho, para não causar mais problemas a quem anda comigo - como a Gromak, que lhe custei a vida. Perto do centro da cidade, barracas de comércio, e até mesmo a fonte e o poço estão destruídas. Mesmo com o perigo presente, o povo não evita se aglomerar e satisfazer sua curiosidade. E em meio aquele caos, lá está o gigante.

Talvez eu devesse me surpreender, mas não. Uma criatura de quase três metros de altura por três de largura, algum tipo de androide, seus braços e pernas lembram antigas retroescavadeiras de ferro, tubos de metal, e pelo que parece até alguns canos em suas costas, uma armadura de metal também reveste seu corpo, e sua cabeça é a única coisa humana em meio aquele espetáculo grotesco. Suas mãos são maiores que meu próprio tronco, cada passo dele esmigalha qualquer coisa que estiver embaixo. O estilo de construção lembra a caixa em que acordei dentro. Há algumas luzes e saídas de ventilação nele, assim como alguns discos que parecem ser ímãs incrustados em seu corpo. Para finalizar, vejo uma tatuagem azul acima de seu olho direito.

– “VOSSÊ”!!!! EU VIM PARA MATÁ-LO!! – Ele grita, apontado suas mãos enormes pra mim.

Ele coloca um capacete que lembra um balde, com uma fenda horizontal que deixa pouco de seus olhos aparecendo, e corre em minha direção, preparado para atacar. Esperava muito menos, considerando seu tamanho, mas ele se move como um humano normal. Não será suficiente para me derrotar, embora com a força dele, um único descuido pode ser meu fim. Quando ele chega até mim, simplesmente me esquivo para o lado, fazendo com que ele passe reto e entre na parede de uma casa, atravessando-a como se fosse papel.

Caminho para o outro lado, ficado de frente para ele que agora sai de dentro dos destroços do que era uma casa.

– O que tem contra mim, gigante? Por que quer me matar? – Indago.

– Matar “vossê”me “ssusstentará”por muito tempo! É “ssó”um “sservisso”. - Ele fala estranho, parece falar arrastado, puxando nos “ésses”.

– Quem contratou você?

– “Apenass”um “véio”de um olho “ssssó”! Que “diferenssa”faz “issso”?

Ele corre de novo, dessa vez dando um tapa com as costas da mão. Me esquivo para o lado, curvando-me para que o tapa passe por cima de mim, e desfiro um corte horizontal na altura da cintura dele, que seria nas costelas se ele tivesse estatura humana, mas o golpe nem marca o metal do corpo dele, apenas causando mais danos à minha arma. Ele se vira e repete o ataque, me esquivo da mesma maneira, mas dessa vez não golpeio, não irá funcionar a menos que eu tenha alguma estratégia.

– PARE DE SE “MEXXER” ANÃOZINHO!! - Ele grita enfurecido. Velho de um olho só... somente agora, imagino que ele esteja se referindo ao barão, mas o barão está morto.... Opa! Lá vem o gigante investindo mais uma vez. Dessa vez ele ataca com os punhos cerrados de cima pra baixo, me esquivo pra trás, enquanto ele acerta o solo com mais força que uma marreta. Aproveito a deixa, corro subindo em seus braços e com as costas da espada golpeio o capacete, fazendo um enorme estouro. Pulo pra trás e me afasto enquanto ele fica grunhindo. Ele tira o capacete. Agora é minha chance de acabar com isso.

Preparo a espada, mas antes que eu ataque, ele começa a vomitar. Uma cena grotesca: ele vomita por cima de sua própria armadura, e tenta limpar a boca com o que deveria ser a manga da camisa se ele tivesse uma. Eu perco a reação enquanto assisto, abismado. Ele vira para uma das pessoas da multidão e dá um passo apontando pra ela. Não posso deixar que ele fira ninguém, mas mais uma vez, quando me preparo pra agir, ele me deixa sem ação ao falar:

– “VOSSE”AÍ! “COSSE” MINHA ORELHA! – Ele diz se abaixando. Fico estático, somente assistindo, enquanto um senhor assustado coça a orelha do gigante curvado em sua frente.

– VALEU CAMARADA!

Ele agradece ao senhor, e se vira na tentativa de pegar seu capacete, mas ele acaba pisando em cima e esmagando-o.

– Ô “casssete”! – Ele reclama. Enquanto eu continuo ali olhando. Ele parece ser diferente do barão ou dos outros que encontrei. Pensando bem... ele está bêbado! Isso explica a fala arrastada e o comportamento bizarro.

– “fass”favor de morrer agora, “quieu”já to “canssado”. – Ele me fala, em tom de súplica

.– Lamento. Morrer agora estragaria meus planos. Quem sabe não conversamos um pouco?

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A obra e o site são dedicados em memória do Irmão, e eterno amigo Felipe Daniel Premaor(04/03/1988 ~ 16/07/2012)